Programa contribui para a redução de mortalidade infantil

Santos

Reduzir o índice de mortalidade infantil para um dígito é a meta estabelecida pela Prefeitura de Santos com o Novo Programa Mãe Santista. Implementado em 2013 pela Secretaria da Saúde e Fundo Social de Solidariedade, o Mãe Santista entra em nova fase com a parceria estabelecida pela prefeitura com o Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável. O programa dá assistência à gestante durante toda a gravidez, incluindo o período pré-natal, parto e pós-parto, além de acompanhar o bebê até os 24 meses de vida. A intenção é partir da experiência acumulada no atendimento, tanto pelos servidores como pelos usuários, e estabelecer novos padrões de atendimento para ampliar a rede de cuidados contínuos para a mãe e o bebê.

 

 

Dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) indicam que, desde 2000, Santos tinha a pior taxa de mortalidade infantil do estado de São Paulo. O índice médio da cidade, em 2014, foi de 13,65, o que significava que a cada mil nascidos vivos quase 16 não sobreviviam até o primeiro ano de vida.

Em 2013, a prefeitura criou o Programa Mãe Santista, com a finalidade de dar assistência à gestante durante toda a gravidez, incluindo pré-natal, parto e pós-parto, com acompanhamento do bebê até o primeiro ano de vida. Além disso, o programa visava a melhoria da qualidade dos atendimentos na rede pública de saúde. No entanto, por meio de entrevistas com gestantes e servidores municipais, foi possível identificar que a maior força do Mãe Santista estava na entrega dos enxovais, enquanto a maior oferta de consultas e exames não era plenamente reconhecida como uma ação do mesmo programa.

A partir das análises realizadas durante a fase de diagnóstico e exploração concluiu-se que a mortalidade infantil no município era uma questão complexa e multifatorial. Desse modo, a redução do coeficiente só seria possível a partir de um conjunto de soluções diversificadas e que envolvesse diferentes atores.

Com o objetivo de complementar as ações de redução da mortalidade infantil na cidade e criar um serviço acolhedor e efetivo para as gestantes e mães com filhos de até 1 ano de idade, a prefeitura, com apoio do Juntos e parceria técnica da Agência Tellus, criou o projeto Gestante em Foco.

Como reduzir a mortalidade infantil a partir de melhorias nos serviços para as gestantes do município? Foi com esse desafio que a prefeitura de Santos, em parceria com o Juntos, iniciou uma jornada que percorreu etapas de exploração, pesquisa, cocriação e implementação de ideias inovadoras, num projeto construído ao longo de um ano, com a participação de diversos atores.
Envolvendo servidores e usuários da rede de saúde, o Gestante em Foco cocriou diversas soluções que priorizaram o empoderamento das mulheres para a participação ativa em seu próprio cuidado. Na perspectiva do cuidado integral, essas soluções interconectam as diversas dimensões da vida das mulheres, para além da gestação, favorecendo o estabelecimento de vínculos de confiança com o serviço.

O objetivo do Gestante em Foco é mobilizar e engajar os cidadãos e servidores públicos no desenvolvimento e implementação de um serviço acolhedor e efetivo para as gestantes e mães de crianças até́ 1 ano, com vistas à redução da mortalidade infantil em Santos. A meta da Secretaria Municipal de Saúde é atingir um dígito (menor que 10) nessa taxa em 2016.
O mapa de ação criado no projeto visa estabelecer uma linha de cuidado contínuo, focada nas gestantes e pela qual a Secretaria de Saúde passa a atuar de modo interdisciplinar, estimulando a integração entre os diferentes órgãos e promovendo a corresponsabilidade no atendimento às gestantes e mães. O mapa compreende a interconexão das fases e ações descritas a seguir.
– Planejamento familiar: fortalecimento das ações de saúde reprodutiva, prevenção a gestação indesejada e promoção de ações de autopercepção.
– Pré-natal: garantia da classificação contínua de gestações com risco biológico, desenvolvimento de serviços para gestantes que não aderem ao pré-natal e promoção de vivências e práticas educativas para usuárias e familiares.
– Parto: integração do fluxo de informações, melhora no acolhimento e humanização.
– Pós-parto: garantia do vínculo dos usuários com a rede e fortalecimento do aleitamento.

Além dessas soluções, o projeto visa a integração das ações da Secretaria da Municipal da Saúde e da Seção de Vigilância à Mortalidade Materno-Infantil através da valorização e do cuidado contínuo dos servidores, integração da rede de saúde, incorporação do diagnóstico interdisciplinar das gestantes e criação de práticas resolutivas.

No âmbito do projeto Gestante em Foco foi criada a Escola das Mães, conjunto de atividades educativas que complementam as consultas médicas e preparam as mulheres e sua rede de apoio para questões relacionadas à maternidade, à saúde reprodutiva, à gestação, ao pós-parto e aos direitos da mulher. As atividades para gestantes se somam às consultas, constituindo o pré-natal ampliado.

Veja matéria veiculada no programa Profissão Repórter sobre a Escola das Mães.

A Escola das Mães inclui a capacitação de servidores para ministrar atividades práticas, materiais para facilitadores (itens multimídias, materiais de papelaria e kit didático de aleitamento e parto), e kit para a usuária (fichários com os conteúdos das atividades e pastas), além da sala oficial de atividades no Instituto da Mulher e Gestante.

Atualmente, as atividades da escola acontecem em sete equipamentos de saúde de Santos: Seção Instituto da Mulher e Gestante, Unidade de Saúde da Aparecida, Unidade Básica de Saúde Pompeia – José Menino, Unidade de Saúde Vila Mathias, Policlínica do Jardim São Manoel, Unidade da Saúde da Família do Jabaquara e Unidade de Saúde da Família Martins Fontes – Vila Nova. Até o mês de junho de 2016, a Escola das Mães havia formado 157 grupos, somando 1.300 participantes.

Outro resultado do projeto foi a formação do Grupo de Referência da Escola das Mães, composto por três servidoras da Secretaria da Saúde, as quais serão responsáveis por acompanhar, organizar e divulgar a ação na cidade. Já o Time de Facilitadores conta com 13 servidoras da Saúde e demais pastas, além de parceiros externos, que passam por treinamentos semestrais em técnicas de moderação de grupos e conteúdo programático. O objetivo do time é disseminar os conceitos e atividades da escola nos diferentes equipamentos de saúde da cidade.

Dados da Secretaria Municipal da Saúde mostram que houve um aumento de 48% da participação dos pais nos exames de pré-natal, indicador monitorado pela prefeitura desde 2013, resultado alavancado também pelas ações do Gestante em Foco.

Já uma prioridade da atual gestão, a questão materno-infantil foi ainda mais valorizada com a adoção do projeto Gestante em Foco, tendo contribuído decisivamente para um dos principais resultados obtidos pela prefeitura de Santos nesta área: o coeficiente de mortalidade infantil caiu de 13,69, em 2014, para 10,80, em 2015, o menor índice da história da cidade.

Apesar da marca ainda estar acima do padrão considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (10 mortes a cada mil nascimentos), os dados apontam um grande avanço em relação ao início dos anos 1980, quando a marca superava a casa dos 30.

Segundo a Secretaria da Saúde, outra grande conquista alavancada pelo Gestante em Foco foi o reconhecimento dos equipamentos públicos de saúde municipais, o aprimoramento da qualidade dos serviços oferecidos às gestantes, às mães e aos bebês e a valorização do próprio sistema público de saúde público santista.

As três principais ações criadas com o Gestante em Foco são:

  • novo Kit Mãe Santista, uma ampliação do kit que já era entregue pela prefeitura, porém agora dividido em 3 fases, referentes aos 3 diferentes momentos da gestação;
  • Escola das Mães, conjunto de atividades educacionais que complementam as consultas médicas e preparam as mulheres e sua rede de apoio para a maternidade; e
  • aplicativo Escola das Mães, primeiro voltado para mães e gestantes criado por uma prefeitura no Brasil, que visa facilitar o acesso a informações sobre gestação, maternidade e saúde reprodutiva.

 

Comunitas, Prefeitura de Santos e Agência Tellus.

A Frente durou cerca de 1 ano e meio e as etapas de trabalho foram divididas da seguinte maneira:

1 mês para a realização do diagnóstico.

2 meses de vivência para conhecer o público-alvo

2 mês de cocriação

13 meses de implementação

Para iniciar um trabalho de impacto tão importante na cidade foi preciso desenvolver um diagnóstico com base em dados oficiais, como plataformas de transparência, entrevistas e visitas à rede pública de saúde, entre outros canais.

Somente depois de concluído esse diagnóstico, foi iniciada a fase de cocriação. Ela se deu por inúmeras oficinas e reuniões, com o objetivo de gerar o maior número possível de ideias. Em seguida, todas as sugestões foram agrupadas e desenvolvidas para que se tornassem soluções de implementação viável na rede de saúde santista.

Devido ao cenário de múltiplas causas da mortalidade infantil no município, a criação das ações para melhoria do atendimento à gestante também exigiu a complementação de diversos níveis de soluções. Dessa forma, o Gestante em Foco nasceu como um conjunto de soluções para complementar o Programa Mãe Santista, em que a gestação é vista como uma oportunidade para preparar a mulher, as pessoas do seu entorno e a rede de saúde para as transformações da gestação, fortalecendo uma rede de apoio integrada e corresponsável pela prática do cuidar.

Durante a etapa de cocriação, foi elaborado um cardápio de soluções que deveriam ser implementadas nos diferentes departamentos, coordenadorias e unidades responsáveis pelo atendimento às gestantes, mães e bebês, divididas em:

  • soluções de contato, diretamente relacionadas aos usuários e de convívio próximo com a comunidade;
  • soluções de conexão/de ligação, permitem melhor circulação das informações e fluxos do programa; e
  • soluções estruturais, que podem parecer invisíveis, mas são indispensáveis para a sustentação do projeto.

Das mais de 40 soluções cocriadas, a prefeitura priorizou as 20 que apresentavam maior potencial de resolução e disseminação na rede. A partir da criação de estratégias resolutivas, a Secretaria da Saúde passou por um processo de transformação que ampliou seu potencial de intervenção nos diversos níveis da gestão da prefeitura e até do município, propiciando a reflexão sobre seus métodos de trabalho e fluxos de atendimento, como também de sua própria cultura.